O próximo capítulo da história do judô olímpico italiano foi escrito por uma heroína inesperada: Giulia Quintavalle. Em 2008, nos Jogos de Pequim, ela passou de forasteira a campeã na divisão de -57kg, conquistando a terceira medalha de ouro olímpica do judô da Itália.
Quintavalle chegou a Pequim sem aura de favorito. Um ano antes, no Campeonato Mundial de 2007, no Rio de Janeiro, ela havia sido eliminada nas quartas de final. Seu histórico foi sólido, mas não espetacular, e poucos imaginavam que ela subiria ao pódio olímpico.
Sua primeira luta parecia uma missão impossível: Yvonne Boenisch, da Alemanha, atual campeã olímpica. Mesmo assim, Quintavalle, cheio de confiança, surpreendeu o favorito. Com um contra-ataque ouchi-gari perfeitamente cronometrado contra kosoto-gake, ela marcou waza-ari e manteve a coragem para avançar.
O ímpeto a levou até a final, onde enfrentou outra rival experiente: Deborah Gravenstijn, da Holanda, medalhista mundial de prata e bronze, bem como medalhista de bronze nas Olimpíadas de Atenas em 2004. No papel, Gravenstijn tinha o pedigree, mas Quintavalle novamente virou as probabilidades de cabeça para baixo.
O italiano marcou primeiro quando Gravenstijn recebeu um shido por passividade, dando a Quintavalle uma vantagem koka. Aos três minutos, Quintavalle acertou osoto-gari, jogando o adversário para o lado de Yuko. Esse placar foi decisivo. Quando soou a campainha final, o azarão havia derrubado o favorito e Giulia Quintavalle se destacou como campeã olímpica.
Seu triunfo em Pequim gravou seu nome na história do judô italiano, após o ouro de Ezio Gamba em 1980 e a vitória de Pino Maddaloni em 2000.
A carreira pós-olímpica de Quintavalle, porém, trouxe menos destaques. No Campeonato Mundial de 2009 em Rotterdam, ela perdeu nas eliminatórias. Saídas iniciais semelhantes ocorreram no Mundial de 2010 em Tóquio e na edição de 2011 em Paris. Depois de perder os campeonatos de 2013 e 2014, ela voltou para uma última campanha no Mundial de 2015, em Astana, apenas para cair na primeira fase.
Apesar desses reveses, nada poderia diminuir a memória de Pequim. A conquista da medalha de ouro de Giulia Quintavalle continua sendo uma das grandes histórias do judô olímpico da Itália: prova de que mesmo quem está de fora pode superar as expectativas e fazer história.
Giulia Quintavalle está agora fortemente envolvida na Academia de Judô da IJF.